
A Urgência da Mudança no Manejo de Pacientes Cardíacos
O Infarto Agudo do Miocárdio (IAM) continua sendo uma das condições mais críticas e a principal causa de morte no Brasil. Embora tenhamos presenciado avanços significativos em procedimentos de revascularização e na gestão hospitalar, a taxa de mortalidade e os desafios no tratamento persistem, especialmente em pacientes com comorbidades associadas, como diabetes e hipertensão.
O desafio real não está apenas no momento agudo do evento, mas em garantir um cuidado eficaz, holístico e contínuo após a alta hospitalar. É aqui que o profissional de Enfermagem, com sua visão abrangente e papel de gestor de casos, se torna a chave para transformar os resultados de saúde no país.
1. Do Paciente ao Sistema: A Liderança da Enfermagem no Cuidado Integrado
O referencial teórico de pesquisas recentes aponta para a importância crítica de adotar Modelos de Cuidados Integrados. O objetivo é coordenar múltiplos profissionais — médicos, nutricionistas, fisioterapeutas — ao longo de todo o espectro da doença, desde a prevenção até a reabilitação.
Como Enfermeiro Especialista, defendo que a Enfermagem é o pilar que sustenta essa integração.
A abordagem holística e a ênfase na Medicina Centrada no Paciente exigem um profissional que consiga:
- Coordenar a Equipe: Assegurar que os planos de tratamento sejam seguidos, garantindo eficiência e eficácia, o que pode inclusive reduzir o tempo de internação e os custos associados.
- Promover a Adesão: O enfermeiro é o principal elo de comunicação com o paciente, traduzindo o plano médico complexo em rotinas diárias e melhorando a adesão ao tratamento e, consequentemente, os resultados clínicos.
- Gerir Comorbidades: O risco de prognóstico negativo aumenta drasticamente com a presença de condições como diabetes ou doença renal crônica. É o profissional de Enfermagem que monitora e maneja ativamente essas comorbidades no dia a dia, controlando os fatores que influenciam a resposta ao tratamento do IAM.
2. A Batalha pelos Fatores de Risco: Educando para a Prevenção
O artigo em questão destaca que menos de um terço dos pacientes pós-infarto do miocárdio atingem a meta ideal de colesterol LDL. Isso revela uma lacuna alarmante entre as diretrizes clínicas e a prática real.
O gerenciamento de fatores de risco modificáveis – como tabagismo, hipertensão e obesidade – é um componente essencial da abordagem preventiva. Contudo, a pesquisa mostra que o conhecimento sobre sintomas e fatores de risco do IAM é subótimo, especialmente em populações com baixa escolaridade.
Nossa responsabilidade, como profissionais de Enfermagem, é atuar ativamente nesta frente:
- Traduzir a Ciência: Pegamos a complexidade dos desafios genéticos e metabólicos (como a relação entre doença hepática gordurosa não alcoólica e IAM, mencionada em estudos recentes ) e a transformamos em informações de estilo de vida claras e acessíveis.
- Focar na Base: Precisamos de campanhas educativas direcionadas que abordem as desigualdades e alcancem as populações em risco, garantindo que o fator de risco mais crítico seja combatido: a falta de informação.
3. Superando Desigualdades no Acesso ao Cuidado
As políticas de saúde e a alocação de recursos desempenham um papel crucial na qualidade e no acesso à assistência de pacientes com IAM.
O artigo revela que a redução do risco de mortalidade por IAM foi menos acentuada em regiões como o Nordeste brasileiro, devido a desigualdades socioeconômicas e acesso limitado à saúde.
Nosso compromisso é com a equidade:
- Devemos fomentar a implementação de modelos que garantam que os avanços no tratamento – como o timing ideal para revascularização e o monitoramento da função renal pós-procedimento – cheguem a todos os pacientes, independentemente de sua localização ou condição socioeconômica.
- A formação de profissionais de saúde competentes e capacitados é essencial para garantir a prevenção e o controle de condições que impactam a saúde da população.
A Enfermagem não apenas executa; ela lidera a gestão, a educação e a defesa da equidade. Esta é a nossa contribuição de grande significado para o futuro da saúde cardiovascular no Brasil.
VEJA O ARTIGO COMPLETO: https://rgsa.openaccesspublications.org/rgsa/article/view/6701/2657